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Edições
:: Fonte: Revista Lume Arquitetura - edição número 17
Mayne Hall Art Museum
Iluminação adaptada para galeria de arte
Da Redação
Fachada do Mayne Hall
Inaugurado em abril de 2004, na cidade de Brisbane, estado de Queensland, Austrália, o Mayne Hall Art Museum era um auditório e foi transformado numa galeria de arte. A reformulação no espaço respeitou e manteve as fachadas como no projeto original e tirou o máximo proveito da integração da arquitetura com a iluminação, tanto interna quanto externamente.
Os critérios considerados na elaboração do projeto foram: identificar as funções dos espaços, atender às exigências dos curadores de arte, proporcionar conforto visual, garantir conservação de energia, enfrentar o desafio da mudança de luminosidade entre o dia e a noite, utilizar materiais e luminárias que proporcionassem flexibilidade de acordo com diferentes exibições de arte.
Exterior - As paredes internas da nova galeria foram iluminadas de forma a serem visíveis do lado de fora do prédio, contrastando com a silhueta da fachada principal. Para a fachada principal foram adotadas luminárias com lâmpadas dicróicas de 35W, 60 graus de abertura, ajustáveis, com rotação de 359 graus e associadas ao uso de transformador eletrônico. Uma parede externa da caixa de escada serve como outdoor para divulgação das exposições, sendo iluminada com lâmpada de vapor metálico de 70 W, em luminária embutida no solo, fazendo um "uplight".
As paredes divisórias do segundo andar, com 3,5m de altura, não chegam a tocar o teto do museu (o pé-direito é de 5m). Fluorescentes foram instaladas no topo da parede divisória, aproveitando o vão e criando uma iluminação indireta.
Na fachada principal foram colocadas, internamente, cortinas "quebra-sol", para evitar incidência de luz natural (raios infravermelho e ultravioleta) dentro da galeria, o que causaria danos às obras de arte. Algumas peças só podem receber 50 lux, no máximo, limite que representa um grande desafio para um projeto luminotécnico, quando se tem luz natural direta entrando por duas fachadas.O portão de entrada recebe "uplight" com dicróicas de 35W, 38 graus, em luminárias embutidas no solo.
Lâmpadas de cores quentes e frias contrastam
na fachada posterior do museu.
Interior - Conforto visual é condição indispensável para a observação e apreciação de obras de arte. O uso de dimerização possibilita conforto visual e grande economia não só de consumo, como de manutenção, uma vez que este recurso contribui para o aumento do tempo de vida das lâmpadas. A iluminação de quadros no Mayne Hall se dá, basicamente, por spotlights com lâmpadas de tungstênio de 100W, profiles com dicróicas de 50W e floodlights com lâmpada de tungstênio de 100W, numa temperatura de cor média de 2700K.
O gerenciador de energia e sistema de dimmer podem ser operados por timmer ou manualmente. Com este recurso, a equipe de lighting designers programa a iluminação de uma determinada exposição, já com a devida intensidade e tempo. Um funcionário da galeria precisa apenas checar se o sistema está funcionando corretamente. Havendo alguma falha, uma indicação aparece no computador central e um lighting designer do escritório responsável pelo projeto luminotécnico é convocado para reprogramar ou corrigir o que for necessário.
O enquadramento dos quadros feitos pelos profiles de luz (spotlights que possibilitam ajuste de foco e facho) foi um item difícil dentro desse projeto, já que foi realizado manualmente e exigiu bastante tempo até que se pudesse obter os resultados desejados. Para cada quadro a ser iluminado, uma pessoa da equipe programava a intensidade da fonte de luz, subia uma escada de 5m de altura e cuidadosamente ajustava foco, facho de luz, seguindo rígidos critérios dos curadores.
No segundo andar do prédio, onde as paredes da galeria não chegavam até o teto, o controle de facho teve de ser minucioso, pois, devido à necessidade do uso de focos abertos, a luz proveniente da fonte que iluminava um quadro na sala 1 "vazava" para a sala 2. A solução adotada foi o uso de palhetas para minimização do efeito.
A necessidade de flexibilidade quanto ao posicionamento das fontes de luz foi resolvida com a utilização de trilhos embutidos divididos em três circuitos, possibilitando tanto a localização quanto a substituição do tipo de luminária, dependendo da necessidade da curadoria. Na área central, dicróicas de 35W, 60 graus de abertura, iluminam a circulação. No interior do prédio, halógenas de tungstênio 150W, distribuídas num trilho, em três circuitos, fazendo um "wall washer".
Nota do Editor: Rodrigo Malgor Roveratti, que faz parte da equipe de Lighting Designers, é brasileiro, arquiteto graduado pela PUC-Campinas, com especialização em Iluminação pela Queensland University of Thecnology (Brisbane, Australia). Adquiriu experiência profissional no escritorio Webb Australia Lighting Design Consultants (Brisbane) e é pós-graduado em Lighting Design pela KTH University em Estocolmo na Suécia.
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