Opinião

Lighting Designer

Muito além da luz




Por Umberto Boggian


      Lighting designer é um título pomposo, imponente, quase com luz própria!... Mas, afinal, quem são, de onde surgem, qual é o perfil dos profissionais que assim se apresentam em seus cartões de visita? Como se preparam para uma atuação não menos importante do que o título que ostentam?
      Há poucos dias, fui surpreendido com uma palestra de Isac Roizenblatt – ícone da iluminação brasileira – que em três minutos de explanação sobre novas tendências conseguiu mostrar que quase tudo o que aprendi em termos de tecnologia de fontes luminosas, em 20 anos de profissão, está em vias de virar pura sucata. O auge de sua apresentação foi quando ele quase acendeu um pepino em pleno palco, fazendo menção à preocupação ecológica que as indústrias começam a ter – mesmo que seja de forma “consciente-forçada” – como é o problema do descarte de lâmpadas.
      Cresce a cada dia e numa velocidade assustadora a variedade de lançamentos que surgem nas lojas – ou nos websites, que são as modernas prateleiras da indústria e do comércio. Enquanto isso, poucas pessoas sabem definir corretamente quais são as atribuições, responsabilidades e os segmentos de atuação de um lighting designer. Existe uma enorme diversidade de profissionais especializando- se em diferentes nichos, com histórico e focos de atenção distintos.
      Alguns colegas abraçam softwares de cálculos, tendo na ponta da língua os níveis corretos e recomendáveis de iluminação para cada ambiente. Jamais descolam do manual de normas da ABNT e normalmente desenvolvem projetos tecnicamente corretos. Outros, optam por desenhar luminárias especiais que contribuem imensamente para o aspecto decorativo e emocional da iluminação de um espaço. Existem, ainda, os que jogam todas as normas para o alto e aprendem, como poucos, a iluminar apenas com experiências práticas, baseando seus trabalhos primordialmente em critérios estéticos e cênicos.
      Poderíamos ficar horas aqui, listando as diversas vertentes e atuações de profissionais que vêm surgindo e crescendo no mercado sob a denominação de lighting designer. Mas, afinal, qual desses profissionais é “o verdadeiro”, “o original”?
      Se formos usar a formação acadêmica como critério, continuaremos perdidos na resposta, pois acharemos uma gama bem ampla que vai de arquitetos, engenheiros, designers e projetistas técnicos à gente sem nenhuma dessas graduações.
      O posicionamento claro e firme da classe é tema urgente de discussão pois, só com isso, a profissão começará a ser devidamente valorizada e se desenvolverá de forma sustentável. Os rumos desse posicionamento competem aos profissionais que já atuam amplamente. A atuação de uma associação representativa da classe será um ótimo caminho para se alcançar este objetivo.
      Tenho visto e ouvido falar do surgimento de mais de uma associação. Os resultados efetivos, entretanto, vão depender do quanto os grupos que vêm se formando atuarão de forma democrática e desassociada de interesses individuais ou comerciais; do quanto estarão comprometidos com uma abertura ampla a debates sobre assuntos que vão desde a formação acadêmica até a reavaliação de normas, e do quanto vão estimular a pesquisa constante do setor, promovendo parcerias consistentes entre indústria, governo e universidades. Caberá a essa associação, também, a organização e fiscalização da comercialização de projetos de iluminação, de forma contumaz, pois da forma como este assunto vem sendo tratado – imperando a falta de parâmetros éticos e financeiros – o mercado estará inchando em vez de crescer, criando uma categoria de profissionais sem bagagem para se autodesignarem lighting designers e sustentarem a responsabilidade que o título exige.

Umberto Boggian é consultor e projetista de Iluminação.
(boggian.consultoria@superig.com.br)