Opinião

Indústria da iluminação

Para onde vamos?




Por Carlos Eduardo Uchôa Fagundes


      A indústria brasileira da construção civil fechou o ano de 2007 comemorando um crescimento significativo. Esperava-se o mesmo do segmento da iluminação, senão pela importância da “luz” no nosso cotidiano, pela “carona” a ser tomada no “boom” da construção civil e pelas promessas do Governo que garantiam acesso à energia para toda a população brasileira.
      Não foi o que se verificou. A indústria da iluminação registrou crescimento em torno de 8% no ano passado, mantendo-se nos mesmos patamares dos anos anteriores, graças à expansão das reformas e de novas construções que se multiplicaram no País em decorrência da desoneração de impostos de alguns produtos da construção civil e das facilidades de crédito oferecidas pelas instituições financeiras.
      Quando olhamos para a iluminação pública verificamos que neste segmento nada do que foi proposto para 2007 se concretizou. O Reluz (Programa Nacional de Iluminação Pública Eficiente), que estabelecia, para a Capital de São Paulo, investimentos da ordem de R$ 187 milhões e mudanças de 15 mil luminárias por mês foi interrompido e as ruas da cidade permanecem às escuras e inseguras.
      Se reativado no âmbito nacional, com a “eficientização” que se espera e com a troca de 5 milhões de luminárias públicas, ganhariam: o setor – que retomaria as suas vendas; e o País, que poderia economizar algo em torno de 650MW, o que corresponde à potência da Usina Nuclear de Angra I.
      Mas mesmo com todos esses problemas, os investimentos no desenvolvimento de novas tecnologias e de novos produtos nem por isso foram interrompidos.
Sinto-me à vontade para afirmar que nossos equipamentos estão entre os melhores do mundo e que o esforço que a Abilux vem fazendo no sentido de transformar o Brasil em pólo da iluminação, não está sendo em vão.
      Hoje, a indústria brasileira da iluminação fabrica de lâmpadas a starters passando por reatores, ignitores, transformadores, componentes para a indústria de iluminação e luminárias. É uma indústria com tradição. As empresas têm em média 20 anos.
      Há mais de 10 anos, a Abilux vem incentivando as indústrias a desenvolverem um design nacional para as suas luminárias. Acreditamos que este é um diferencial fundamental para a inserção dos produtos “made in Brazil” no mercado externo e para a sua valorização no mercado interno. Para isso realizamos o Prêmio Abilux Empresarial de Design de Luminárias, um concurso que premia a indústria e o designer, e que tem um olhar voltado para o desenvolvimento e a adoção de novas tecnologias, além do respeito às normas técnicas vigentes. Não satisfeitos em promover o desenvolvimento de um design nacional para as nossas luminárias, criamos o Prêmio Abilux Projetos de Iluminação para incentivar os profissionais a especificarem em seus projetos produtos de fabricantes brasileiros. Os dois prêmios têm dado oportunidade aos profissionais de todo o País de apresentarem seus trabalhos e serem reconhecidos publicamente.
      Prosseguiremos trabalhando para conscientizar as nossas indústrias da importância de se investir no desenvolvimento de novos produtos, novos designs e novas tecnologias. Eficiência e maior produtividade são metas a serem perseguidas e atingidas pelas mais de 600 indústrias que compõem hoje o setor de iluminação brasileiro.
      Um bom exemplo do que estamos produzindo hoje poderá ser visto na Expolux 2008. Lá também estarão expostas todas as peças vencedoras do Prêmio Abilux Empresarial de Design 2008.

Carlos Eduardo Uchôa Fagundes é presidente da Abilux (Associação Brasileira da Indústria da Iluminação).