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Opinião
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Uma nova pirâmide
E as boas oportunidades para os lighting designers
Por Luis Lancelle
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A partir do momento em que os cursos
de pós-graduação em iluminação começaram
a aparecer e terem ótima receptividade
surgiu uma latente preocupação
para os que, como eu, estão vinculados à
docência nesse segmento: qual o destino
dos novos colegas de profissão?
Há alguns anos, o foco fundamental
dos lighting designers eram as grandes
obras, sejam elas residenciais ou corporativas,
ou se caracterizavam por estar
destinados às classes de maior poder
aquisitivo, como restaurantes sofisticados, lojas requintadas,
residências de classe média alta, hotéis cinco estrelas, etc.
Porém, até que ponto esses nichos tradicionais de atuação
podem absorver os novos formandos em iluminação e, assim,
dar sentido à existência desses cursos?
Com a implantação do Plano Real e uma série de fatores
favoráveis no mercado, iniciados na gestão FHC e aprofundados
no governo Lula, muitos já ascenderam ao degrau imediatamente
superior da pirâmide, com novos e mais sofisticados paradigmas
de consumo, mescla explosiva que lhes torna um foco de
atenção para a aquisição de serviços e produtos que valorizam
seus novos modos de vida, como decoração, iluminação, etc.
Mas como chegar a esses consumidores? Esta é uma ação
que nos impõe o desafio de entender e de conhecer seus padrões
de comportamento. Num primeiro momento pode parecer
que a nossa margem de lucro seja reduzida, porém vale lembrar
que nos debruçamos durante dias a fio
para fazer um projeto de uma residência
de 500 metros quadrados, e que em
apenas horas podemos equacionar um
apartamento de 40. E que, provavelmente,
nossa tarifa por metro quadrado seja maior.
Claro que devemos captar 10 vezes mais
clientes do que antes, e é muito provável
que nossas preocupações em aparecer
em colunas sociais e mostras de arquitetura
e decoração não sejam eficientes.
Então devemos pensar em outras
estratégias de apresentação, como participar dos lançamentos e
dos “apartamentos decorados” de empreendimentos destinados
a essas classes, em atuar nas escolas e colégios de seus filhos
apresentando pequenas e simples palestras sobre os benefícios
da boa iluminação, em participar das atividades comunitárias dos
bairros em que essas classes moram. E uma vez conectados
com esses potenciais clientes, pesquisar produtos e critérios de
iluminação que atendam as suas expectativas culturais e a suas
disponibilidades financeiras.
A outra grande fonte de oportunidades de atuação está
atrelada aos novos conceitos de iluminação baseados na integração
de luz natural e luz artificial. O desenvolvimento de uma
parafernália de recursos e técnicas que começam a aparecer em
nosso mercado e que se destinam à captação, transmissão e
difusão da luz solar, extraindo dela sua carga térmica, são a veia
do futuro nas edificações. Em paralelo, as novas tecnologias de
automação permitem tratar eficientemente o consumo energético
disponibilizando iluminação artificial tão somente quando a
iluminação natural já não atende a nossa tarefa visual.
Para o lighting designer se abre hoje, sem dúvida, um grande
leque de oportunidades, sobretudo para aqueles que apostarem
nesses caminhos e mais estiverem capacitados nesta área.
Luis Lancelle é engenheiro formado pela Universidade de Buenos Aires (UBA) e pela USP, mestre em Engenharia de
Sistemas. É professor, consultor, designer de iluminação e especialista em softwares de iluminação.
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