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Opinião
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Iluminação de estádios
Tecnologia e criatividade em prol do futebol
Por Fernando Marinho
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Em 2000, ao executar dois projetos de iluminação concebidos
pelo lighting designer Peter Gasper, de quem me tornei admirador
e amigo, fui “contaminado” pelo interesse e curiosidade pelo
assunto “luz”, enquanto afinávamos a luz pelas madrugadas.
Arquiteto, formado em 1978, e pós-graduado em urbanismo em
1980, tornei à faculdade em busca de uma pós-graduação que
pudesse me ajudar a desvendar os recursos técnicos e artísticos
desse campo de atuação.
Após o curso, desenvolvi vários projetos voltados para a
área esportiva, entre eles estádios de futebol,
mas todos com características eminentemente
técnicas. Até que, em 2005, tive a oportunidade
de criar soluções de iluminação para as
tradicionais e desagradáveis dúvidas sobre
determinadas jogadas.
Trata-se do projeto realizado no estádio
Antunes, do Centro de Futebol Zico (CFZ), situado
no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de
Janeiro (RJ). O convite veio de Edu Coimbra,
irmão do craque Zico e seu assistente-técnico.
Estudioso da área esportiva, tendo, inclusive, publicado um livro
sobre o assunto, Edu solicitou-me uma iluminação que destacasse
adequadamente as balizas, paus das bandeiras e marcações do
campo.
Em relação às balizas,
ele reclamava que, com a iluminação tradicional, algum
elemento branco por trás do gol poderia confundir os
atacantes na hora da finalização. Era necessária uma
luz que chegasse rapidamente até o jogador, para que
ele tivesse uma referência nítida para o chute.
Quanto aos paus das bandeiras,
que na verdade são de plástico PVC, e marcações dos
campos, convencionalmente pintados com tinta PVA, deixam
lacunas para lances controversos, segundo ele.
Assim, a minha missão
era potencializar a visualização dessas áreas, facilitando
trabalho dos jogadores e árbitros, bem como o acompanhamento
dos lances do jogo pelos torcedores.
A solução encontrada consiste na aplicação de 660 LEDs
brancos de embutir de 0,1W nas traves, que emitem luz tênue
nos intervalos dos jogos; luz forte durante a partida e pisca-pisca
durante 10 segundos, logo após os gols. Esses efeitos são controlados
por uma central de comando e um controle remoto operado
por um assistente de campo.
Nos paus das bandeiras foram instalados 80 LEDs brancos
embutidos em mangueiras, que fornecem uma luz que contrasta
com a das balizas. E, na marcação do campo, adicionamos microesferas
de vidro à tinta PVA, que a torna
fosforescente. Desta forma, quando a luz dos
projetores incide sobre a marcação, a impressão
é que as faixas brancas estão acesas.
Essa iluminação foi inaugurada no dia 22
de dezembro de 2005, no “Jogo das Estrelas”,
promovido anualmente pelo craque Zico, do
qual participam ex e atuais jogadores brasileiros
e estrangeiros. Nessa ocasião esteve
presente inclusive o argentino Maradona.
Como esse trabalho foi bastante elogiado,
achei então que poderíamos avançar na ideia quanto aos recursos
de iluminação a serem utilizados no futebol. Preparei, então, uma
segunda etapa do projeto, com canhões de luz seguidores com os
logotipos dos times, com focos voltados para as torcidas; canhões
potentes com 12000 lux para acompanharem as jogadas paradas,
como faltas e pênaltis, entre outros.
Mesmo ainda não tendo sito executada essa segunda fase,
a experiência me mostrou que muitos recursos da iluminação
poderão ser acrescentados ao futebol, valorizando os espetáculos
e criando mercado de trabalho para os profissionais da área.
Cabe a nós explorarmos cada vez mais a tecnologia existente e
mostrarmos aos clubes o que o lighting design pode fazer pelo
esporte mais querido dos brasileiros.
Fernando Marinho é arquiteto, pós-graduado
em Urbanismo e em Projetos de Iluminação. Titular do
escritório FM Consultoria e Projetos, situado no Rio
de Janeiro, atua no desenvolvimento de projetos e como
consultor-técnico em Arquitetura e Iluminação.
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